domingo, 18 de abril de 2010

Menino de rua.



Não sei quantos anos eu tenho, sei que nasci em algum lugar de um beco escuro, se tenho mãe, eu não lembro, meu nome é PIVETE, MOLEQUE, SAI PRA LÁ, coisas assim, as pessoas tem uma idéia de mim, é como se sirenes vermelhas acendessem em suas cabeças quando estou perto, os vidros se fecham, e as pessoas apertam mais suas bolsas, e a única coisa que eu quero é poder ser feliz.
Sabe sua cama de marca, que você deita, e ela é fofa, tem um travesseiro macio, e uma manta quentinha? Minha cama também é de marca, todo dia é uma diferente, tem dias que ela tem cheiro de bolacha, outros de amaciante, cheiro de coisa limpa. Minha cama é de papelão, minha coberta é de plástico, isso ajuda quando chove, mas o que esquenta mesmo é quando todo mundo fica juntinho, se agarra um no outro, e reza para não chover, ou não sermos mortos.
Existem casas que dizem que podem ajudar a gente, eu fui uma vez, mas estavam mentindo, lá dentro os meninos mais velhos batem nos menores, e a gente dorme em celas, eu num sei o que fiz, mas quando eu me tornei um animal? Eu fugi junto com outros iguais a mim. Não entendo porque sou diferente.
Teve uma vez que achei roupa no lixo, estavam novas, tomei banho em um rio perto da cidade, arrumei um daqueles cadernos, e fui à escola, as crianças riram de mim, e eu nem sabia por que, eu estava igual a eles, até limpo eu estava. Mas percebi que eles riam porque eu num tinha chinelos. Se um chinelo pode tornar uma pessoa melhor, então quero que dêem chinelos para todo mundo.
Pode parecer mentira, mas tenho meus momentos de alegria, só que duram poucos minutos, é perto do bueiro, a pequena luz se acende dentro de uma caixa de fósforos, a fumaça é nossa alegria, só que depois sinto uma tristeza, e uma fome, acho que isso é felicidade, ela não dura para sempre. E tenho que conseguir mais. Todo mundo busca felicidade.
As meninas da minha “turma” sempre têm dinheiro, algumas delas até conseguem bonecas que choram de verdade, e brincam com eles, parecem reais, só um tempo depois eles somem, acho que elas emprestam suas bonecas, e de noite, elas saem, as vejo entrando em carro, deve ser que conhecem a cidade toda assim, algumas chegam com marcas roxas, devem ter caído em algum lugar.
Dizem que minha mãe é uma velhinha que cata lixo na rua, e anda com um monte de gatos, mas quando tentei falar com ela, simplesmente me perguntou “você viu minha gata amarela?” não entendi, mas desistir de falar, tinha que correr, porque a policia estava chegando, eu sei que num tinha feito nada de errado, mas eles não sabem, e eu num quero ir com eles, alguns jamais voltam
Os amigos que faço aqui, às vezes somem, eles conseguem empregos, dizem que trabalham para grandes chefes, só que algum tempo depois não voltam, dizem que eles foram demitidos, mas rapidamente são substituídos.
Eu ando nas ruas e observo tudo a minha volta, cresci aqui sozinho, uma senhora que sentiu pena de mim, me perguntou: “O que você quer ser quando crescer?”. Apenas respondi: “Eu queria poder saber se vou chegar a crescer moça” vi uma lagrima correr de seus olhos, me virei e fui embora, quando se mora nas ruas você sabe como sumir do mundo.
Não tenho família, não tenho comida, não tenho dinheiro, muito menos um brinquedo, sei que sou um ser humano, mas o que me torna uma ameaça? Não sei o que fiz. Não fui que escolhi nascer nesse planeta, apenas nasci. Se tiver alguém ali em cima, ele deve saber. Para conseguir viver, tenho que dar medo nas pessoas, assim elas me respeitam, e mantém distancia de mim. O Senhor que fica no beco, com o rosto sujo, barba branca, com o olhar vazio, pedia para aquele sofrimento acabar, e um dia ele dormiu e nunca mais acordou.
Vejo crianças nos parques rindo, lendo livros, e eu queria apenas saber escrever meu nome, se eu tivesse um. Eu não faço parte de índices, eu nem sequer existo na sociedade. Se eu morresse hoje, a única coisa que faria seriam me enterrar numa cova sem nome, e eu não teria flores, ninguém ia chorar por mim. Nasci sozinho, morro sozinho. 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ensaio sobre o ódio


Algo que nós provoca, faz irmos no limite na nossa calma ou sanidade.
Odiar. Quem nunca sentiu seu sangue ferver, suas mãos cerrarem em punhos, quando você é afrontado ou se sente humilhado?

Imagine-se na cena, sua paciência é levada ao limite, seus argumentos totalmente ignorados, nada do que diga, vai provar ou convencer o outro que voce está certo. Sua visão adiquire uma tonalidade vermelha, sua força se concentra em um punho fechado, sua audição parece que está abafada, não pode mais escutar nada, sua ira já está no maximo.

Você sente sua sanidade se esvaindo, mas ainda há um fio dela, em um ímpeto de razão, você se afasta, tem que ficar o mais longe possivél de alvo de loucura.

Em um canto você tenta acalmar seu coração, em sua garganta se faz um nó, um choro que é calado, suas mãos vão aos seus cabelos, em um gesto nervoso, e você apenas escuta o som de seu coração, com pulsares fortes e rápidos.
Mil planos mirabolantes e insanos se passam pela sua cabeça, um plano de vingança, um plano de sofrimento. Seus pés começam a te guiar em direção ao seu instinto predador.
Se sente levada pelo desejo de sangue, uma forma de causar uma dor em seu inimigo.

Quando vai se aproximando de sua vitíma, sente o sangue correndo cada vez mais rápido, nelas correm adrenalina, você agora é capaz de correr uma maratona sem se cansar para apenas alcançar sua vingança, cada passo silencioso, é acompanhado pelas batidas de seu coração desesperado.

E nesse instante sem fim, você acorda desse espirito de loucura, a visão inebriada volta a sanidade, e você deixa o objeto pontiagudo e laminado cair ao chão com tinir de sua lâmina, recobra-se o resto de sua sanidade.

Afasta-se do que antes era para ser uma cena macabra, e volta para seu quarto, para refletir.
Percebe-se que seu ódio foi insesato, mas esse sentimento é arrogante, não vê lados certos, apenas a dor.
Odio, tão doce e perigoso sentimento, forte com uma paixão avassaladora, insano como um cavalo indomavél, inconstante como vulções ativos. Sentimento insano, e devorador.


"O ódio é um sentimento apaixonado"

quarta-feira, 24 de março de 2010

Blá, Blá, blá...

Há dias que você quer falar, e não tem quem possa te ouvir, e quando se quer ficar só, surgem pessoas querendo que voce fale ou ouça, sendo que não quer isso de verdade.
É cansativo, ter tanto a dizer a ninguém para escutar, e não querer falar nada quando tanto querem ouvir. O que torna a linguagem fática, sem rumo, sem graça.
Talvez existam mais pessoas preocupadas com seus próprios problemas que não vem que alguns precisam de ajuda. Nem sempre ajudar significa fazer algo extraordinário, ou sequer nobre. Basta dizer " vai dar certo", ou então,  "voce consegue". Mesmo quando nem  voce acredita nisso. É necessário ter esperanças para continuar todos os dias, é ela que move grandes nações, e fazem outras milhões de pessoas terem vontade lutar todos os dias. 
O ser humano não pode ficar só, mesmo ele achando que possa, a solidão definha, atrofia... 


"Solidão é quando o você fala sozinho, para não esquecer o som da própria voz"

quarta-feira, 17 de março de 2010

Analogia do tempo.




Pode se contar as horas, os dias, os minutos e os segundo,
porem um dia eles chegam ao fim.
Acaba-se a vida, o tempo.
Foi se a infância e a juventude, a velhice bate a porta.
Chega a morte. Doce e sorridente como a brisa.
E assim, ela leva seu ultimo suspiro

domingo, 14 de março de 2010

A indecisão das cores.



Hy ^^
A vida é uma caixa de lápis de cor, há dias que ficamos vermelhos de vergonha, verde de inveja, azul de frio, isso tudo metaforicamente. Mas as cores são bem complicadas de entender, ou talvez sejamos nós que as complicamos.
Vermelho, da cor do amor, antigamente era da burguesia, só quem usava eram pessoas da alta sociedade, um mero plebeu não tinha esse direito, mas vermelho também é sangue, de milhões que morreram de forma brutal, em guerras mundiais, civis, ou diariamente. Então como julgar uma cor que se diz ser a cor do amor, se ela também pode representar tantas coisas ruins?
Verde, alguns acreditam ser a cor da esperança, até acredito, a Amazônia, tem muita esperança, mas que cada dia tem diminuído mais, também é a cor do dinheiro, bem tão precioso que nos causa tantos problemas e resolvem outros tantos. Também verde de inveja, ou ciúmes, claro que é o sentido figurado da coisa, se não teríamos muitos “Huck’s” nesse mundo.
Azul, cor do céu, imensidão azul, significa tranqüilidade, mas também frio, ficamos azuis quando estamos com frio. Ou de mar, outra imensidão que ao mesmo tempo pode ser verde-azulado, existem tonalidades diversas, nem sei citar quantas, mas temos céu a noite, com um manto azul escuro, salpicado de estrelas. Temos aqueles olhos azuis que nos conquistam e nos fazer ter vontade de mergulhar neles. Azul piscina, final de semana, calor, diversão. O Azul é bondade.
Amarelo, cor da prosperidade, que muitos acreditam ser dinheiro ou se quer do estado de felicidade, é alegria também , cor do sol, estrela brilhante que faz ter vida aqui na terra. Cor do ouro alvo de tanta cobiça, que muito foi explorado no Brasil, ou em qualquer terra. Ouro é cor de realeza, quem manda e desmanda em um reino. Amarelo é quando você fica doente e sua pele fica sem cor.
Marrom, cor da terra, do chocolate, guloseima apreciada pela maioria das pessoas, quem não gosta, ou esta de dieta, ou num sabe o que está perdendo. Cor da mulata que passa na rua, que anda e encanta, cor da mistura de raças. Cor da madeira de mogno, que é apreciada para se fazer móveis de boa qualidade e que por causa disso, é tão escassa. Ainda há quem pensa, que só animais entram em extinção, arvores também!
Branco, cor do algodão macio, cor das nuvens quando não querem desabar em água, e você pode ficar procurando formas nelas, cor da noiva, que se casa de branco, e diz ser o dia mais feliz da vida dela. É a cor da paz, paz essa que falta entre os humanos.
Preto, é ausência da luz, mas ao mesmo tempo todas as cores. Se você misturar todas as cores, vai encontrar o preto. Preto é discriminado, e negro não é preto, é marrom bem escuro, mas não preto. Mas a cor preta é forte, é neutra, não é racismo, é união, porque nela estão todas as cores mescladas sem divisão. Preto é luto, quando alguém querido parte daqui, vestimos preto para representar nossa saudade.
A vida é cor, seja ela alegre ou triste, depende de “como, onde e quando” são usadas.
Mas é complicado definir o que cada qual representa, sendo que cada uma pode ter mais de um significado. As cores são indecisas por natureza, mas mesmo assim não deixam de ser o que são.

Depois volto com mais pensamentos aleatórios para postar ;)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Estréia do Blog.

Hy. ^^

Sabe, eu tinha um outro blog só que eu nem postava nada nele, achava a cara dele super chata, não me dava ânimo, eu preferia escrever em um  doc de word e bastava, só que eu aprendi mudar a cara do blog e reformei tudinho, quer dizer, ainda estou na fase de aprendizado, mas é dando com a " cara na porta que voce aprende que tem que abri-la" pelo menos é assim que esse proverbio funciona comigo.
Mas vejam bem, eu sou uma jovem com 17 anos, e vocês se perguntam, "e daí?, porque eu iria querer seu blog?". Eu poderia responder, boa pergunta. Eu não sei se quero que alguem leia, por isso eu uso um pseudononimo, para que qualquer conhecido meu não pense que sou louca ou coisa do gênero, e se eu for escrever algum fato cotidiano tambem não colocarei nomes. Afinal porque alguem iria querer ler algo sobre alguem que nem conhece?
Mas todo conteudo postado aqui terá uma lição á ser interpretada, quer dizer, eu nem vivi tanto assim, acho que minha vida é super sem graça, mas eu gosto de escrever e queria um blog, agora pelo menos eu vou tentar ser engraçada. Ou não terá lição nenhuma, será a visão que tenho de certo assunto.

Então é isso.Outro dia volto com mais lixo para escrever aqui ;)

õ/